✿ Protocolo: Passagem de Células Aderentes
Guia passo a passo para subcultivo de células aderentes em monocamada usando tripsinização.
A passagem celular (também chamada de repique ou subcultivo) é a transferência de uma fração das células de uma cultura confluente para um novo frasco com meio fresco. Isso evita a superpopulação, a exaustão de nutrientes e a perda de viabilidade, mantendo as células saudáveis e em crescimento exponencial. O protocolo abaixo descreve o método clássico para linhagens aderentes usando tripsina-EDTA.
1. Materiais e Reagentes
Separe e organize tudo dentro da cabine antes de iniciar. Aqueça os reagentes líquidos a 37 °C em banho-maria.
| Item | Observação |
|---|---|
| Meio de Cultura Completo | DMEM + 10% SFB, pré-aquecido a 37 °C |
| PBS Estéril | Para lavagem da monocamada |
| Tripsina-EDTA 0,25% | Pré-aquecida; agente de dissociação |
| Garrafas de cultura novas e estéreis | Devem estar identificados com linhagem, passagem, data e autoria |
| Pipetas sorológicas e pipetador | Estéreis e descartáveis |
| Tubos Falcon | Para centrifugação |
| Câmara de Neubauer + azul de tripan | Contagem e viabilidade celular |
| Microscópio invertido | Avaliar confluência e desprendimento |
| Centrífuga, estufa de CO₂ (37 °C, 5% CO₂), banho-maria | Equipamentos de apoio |
2. Preparação
- Higienize as mãos, vista os EPIs e ligue a cabine de fluxo laminar com antecedência (≈15 min) para estabilizar o fluxo de ar.
- Borrife etanol 70% nas superfícies internas da cabine e em tudo que entrar nela.
- Aqueça meio completo, PBS e tripsina-EDTA a 37 °C no banho-maria. Não deixe a tripsina aquecida por tempo prolongado, pois ela perde atividade.
- Ao microscópio invertido, confirme que a cultura está ~80–90% confluente e sem sinais de contaminação.
3. Remoção do meio e lavagem
- Aspire cuidadosamente o meio de cultura antigo, sem encostar a ponta da pipeta na monocamada.
- Adicione PBS estéril pela parede do frasco (~ 2–3 mL), incline suavemente para lavar e remova. Essa lavagem retira soro residual, que inibe a tripsina.
- Repita a lavagem se a linhagem produzir muita matriz ou se houver muito soro residual.
4. Tripsinização
- Adicione tripsina-EDTA em volume suficiente para cobrir a monocamada (~ 1-2 mL). Incline para distribuir uniformemente.
- Incube a 37 °C por 5 minutos. Evite tempo excessivo, pois a tripsina em excesso danifica a membrana celular.
- Após 5 minutos, bata na lateral do frasco para auxiliar o desprendimento das células. É observável que as células estão desprendendo quando o meio começar a se tornar turvo.
- Assim que a maioria das células estiver solta, neutralize a tripsina adicionando o dobro do volume de PBS.
- Lave a superfície com a própria suspensão para recolher as células remanescentes e desfazer grumos.
5. Centrifugação
- Transfira a suspensão para um tubo falcon de 15 mL ou 50 mL.
- Centrifugue a 1.500 g por 6 minutos à temperatura ambiente.
- Ao final da centrifugação, vire o tubo falcon no descarte rapidamente, sem perturbar o pellet de células no fundo.
- Ressuspenda o pellet em um volume conhecido de meio completo fresco até homogeneizar.
6. Contagem e Viabilidade
- Misture 10 µL da suspensão com 10 µL de azul de tripan (diluição 1:2).
- Carregue a câmara de Neubauer e conte as células nos 4 quadrantes externos ao microscópio. Células azuis = mortas; brilhantes/incolores = vivas.
- Calcule a concentração:
células / mL = (média de células por quadrante) × fator de diluição × 10⁴
- Estime a viabilidade (%) = (células vivas ÷ células totais) × 100. Ideal > 90%.
7. Semeadura no Novo Frasco
- Adicione um meio completo fresco ao novo frasco e o volume calculado de células.
- Homogeneíze com movimentos suaves em forma de "8" para distribuir uniformemente as células.
- Identifique o frasco com linhagem, número da passagem, data e autoria.
- Incube a 37 °C e 5% CO₂. Verifique a adesão e a confluência nas próximas 24–48 h.
8. Solução de Problemas
- Células não soltam: tripsina fria ou inativa, soro residual ou tempo curto demais. Lave melhor a garrafa com PBS e aqueça a tripsina.
- Muitas células mortas: tripsinização longa demais ou pipetagem agressiva.
- Grumos: necessidade de ressuspender de forma mais homogênea.
- Crescimento lento após o repique: densidade de semeadura baixa ou passagem muito alta.
- Contaminação: necessário o descarte conforme as normas de biossegurança e revisão da técnica asséptica.
Aviso: este protocolo é um material de estudo/modelo de bancada. Adapte volumes, tempos e razões de divisão ao SOP do seu laboratório e à linhagem celular específica.